O mercado de relacionamentos com foco financeiro em Campinas (SP) apresenta uma proporção expressiva de cinco candidatas para cada homem de alta renda cadastrado na plataforma MeuPatrocínio.
Perfil econômico na metrópole paulista
Os dados revelam que o município abriga 25,9 mil homens com perfil de patrocinador, enquanto o universo feminino chega a 148,1 mil inscritas, resultando em uma média de 5,7 pretendentes para cada participante com maior poder aquisitivo. A renda média declarada desses usuários é de R$ 87,2 mil mensais, patamar que supera em até dezenove vezes a média salarial da população local mapeada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No total, o município de 1,1 milhão de habitantes contabiliza 228,7 mil inscrições na ferramenta digital. Além do público predominante, o levantamento nacional aponta que os patrocinadores costumam ser empresários, investidores e executivos com idade média declarada de 39 anos. A base de dados regional também registra a presença de 4,8 mil mulheres provedoras e quase 50 mil homens cadastrados na posição de acompanhantes.
Relatos sobre a dinâmica dos encontros
Uma biomédica de 24 anos, cuja identidade foi preservada, relata que o acesso a esse modelo de convivência viabilizou viagens, presentes e novas perspectivas de carreira. Nascida em uma família de classe média baixa, ela aponta que o suporte financeiro tornou viáveis metas que pareciam distantes da realidade cotidiana.
“Nunca passei vontade de nada, mas também esses sonhos, assim, de me especializar numa área que quase ninguém trabalha ou viajar para o exterior às vezes eram meio inalcançáveis”, destaca.
Entre os itens recebidos estão acessórios, vestuário, obras literárias, idiomas e um aparelho celular de última geração, além de uma viagem de férias para um resort no litoral baiano. A profissional autônoma também aponta que a rede de contatos gerou frutos para a sua atuação com terapias integrativas, visto que alguns dos parceiros tornaram-se pacientes ao longo do tempo.
“É literalmente um relacionamento sem as caixas. Tipo, aconteceu isso no meu dia, nossa, estou estressado por causa disso. Vai nas conexões da vida”, pontua.
O papel da intimidade e a visão sobre o vínculo
A entrevistada pontua que a intimidade física não representa a prioridade absoluta nos arranjos, que frequentemente privilegiam o diálogo, a troca de experiências e afinidades específicas. Segundo ela, a proporção de encontros que evoluem para o aspecto sexual é minoritária.
“Sim, sim, já aconteceu. Em um dos encontros, evoluí pra ato, sim, mas digamos aí que 20 a 30% no máximo. É a menor parcela, obviamente”, esclarece.
A participante afasta qualquer equivalência com a prestação de serviços sexuais comerciais, reforçando que o afeto e os mimos materiais decorrem da afinidade mútua construída com o tempo.
“Não é o foco. Se fosse o foco, não seria relacionamento sugar”, argumenta, acrescentando que pretende continuar utilizando o sistema digital até estabelecer uma união estável exclusiva. “Enquanto eu não tiver um relacionamento concreto, para mim não tem sentido sair. Para mim é que nem um aplicativo de namoro, literalmente”, conclui.
Fonte: G1 Campinas



