A crise de desabastecimento que atinge diferentes regiões de Sumaré (SP) tem obrigado famílias a adotarem medidas extremas para manter a higiene e a alimentação. Com as torneiras secas há cerca de 72 horas, os moradores enfrentam dificuldades para cozinhar, tomar banho e limpar a casa, dependendo da compra de galões de água mineral e até da captação de água pluvial para conseguir dar descarga nos banheiros.
Rotina comprometida e improviso nos bairros
No Jardim Cidade Nova, a rotina doméstica foi totalmente desestruturada pelo corte no fornecimento iniciado na manhã de segunda-feira (12). A dona de casa Francielle Mitterer, mãe de um bebê de 1 ano e 3 meses, esgotou a reserva da caixa d’água e precisou recorrer à casa de parentes para dar banho na criança, além de comprar recipientes descartáveis para preparar as refeições.
“Estamos sem conseguir lavar roupa, sem conseguir lavar louça, sem higienizar a casa, sem higienizar uma criança que usa várias fraldas por dia”, afirma.
A situação é parecida no Jardim Viel, onde a aposentada Ana Maria dos Santos viu sua caixa de 300 litros secar no início da semana após o corte registrado ainda no domingo (11). Sem aviso formal sobre a interrupção, ela relata que o serviço esboçou uma volta rápida, mas logo cessou: “Voltou, mas nem chegou a ficar meia hora de água e acabou de novo”, relata.
Já a dona de casa Bruna Toledo aproveitou as precipitações recentes para posicionar baldes no quintal na tentativa de acumular algum volume para a limpeza pesada. Inconformada com a falta de previsibilidade, ela cobra respostas da empresa responsável: “Minha pia está cheia de louça, roupa para lavar. Cada dia eles aumentam a previsão e nada, não volta a água”, reclama.
Bruna ainda complementa a queixa sobre as despesas geradas pela instabilidade no serviço: “Minha água da caixa acabou ontem de manhã. Não tenho água para descarga, para lavar louça, para fazer comida. Quem cobra esse prejuízo? As minhas contas estão pagas”, questiona Bruna.
A insatisfação com a comunicação prestada à população é compartilhada por outros moradores. “Gostaria de um pouco mais de atitude das pessoas e um pouco mais de informação”, resume Ana Maria.
O que provocou a paralisação do fornecimento
De acordo com a BRK, concessionária encarregada dos serviços de saneamento na cidade, o desabastecimento prolongado resulta de uma sequência de eventos distintos ocorridos ao longo dos últimos dias.
A empresa informou que, entre domingo (11) e segunda-feira (12), o consumo elevado provocou quedas de pressão na malha de distribuição, atingindo prioritariamente áreas elevadas e bairros periféricos. Na terça-feira (13), uma tubulação se rompeu na área do Jardim Maria Antônia, exigindo manutenção emergencial que já foi finalizada.
Paralisação na captação por cheiro de diesel
O agravamento mais recente ocorreu na quarta-feira (14), quando a companhia precisou interromper preventivamente a retirada de água bruta do Rio Atibaia. A suspensão foi motivada pelo odor de combustível detectado no curso d’água, reflexo do tombamento de um caminhão com carga de diesel no Ribeirão Anhumas, no município vizinho de Campinas.
Para restabelecer o processo de tratamento e bombeamento com segurança, a concessionária aguarda a realização de análises laboratoriais que comprovem a potabilidade e o enquadramento aos padrões técnicos. Como medida paliativa, caminhões-pipa estão sendo direcionados prioritariamente para o suporte a unidades de saúde e escolas do município.
Fonte: G1 Campinas



