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Flagrante raro em Botucatu mostra carcará devorando serpente

Um corredor foi surpreendido por uma cena inusitada durante um treino em uma estrada de terra em Botucatu, no interior de São Paulo. O metalúrgico Diogo Tomé Franco registrou o momento exato em que um carcará capturava e se alimentava de uma serpente identificada como falsa-coral em um dia chuvoso.

O encontro inesperado na trilha

O flagrante ocorreu quando o atleta passava pelo local e percebeu a ave empoleirada em uma cerca, segurando a cobra com as garras. Mesmo com a dificuldade de manusear o celular devido à chuva, ele conseguiu gravar o desfecho da cena, em que o animal levantou voo carregando a presa.

“Foi um momento inesperado, um sentimento de surpresa e alegria de conseguir gravar aquele momento e ainda de presente ele saiu voando com a presa”, conta Diogo.

Frequentador de trilhas e áreas verdes da região, o corredor relatou que nunca havia testemunhado algo semelhante em seus treinamentos pela natureza.

“(A natureza) é meu local preferido para correr em trilhas. Mas nunca vi algo assim. Essa foi a primeira vez”, relata.

Como o carcará utiliza garras e bico

No vídeo capturado pelo atleta, é possível observar a anatomia do predador em ação. Segundo o ornitólogo Fernando Igor de Godoy, as garras servem para imobilizar a presa e podem causar ferimentos severos, enquanto o bico curvo e forte atua na hora de rasgar os tecidos, padrão típico de aves de rapina.

Predador com hábitos oportunistas

Apesar da habilidade na caça, a espécie é amplamente conhecida por sua versatilidade alimentar e comportamento oportunista. De acordo com o especialista, esses animais não dependem exclusivamente da caça ativa e são frequentemente vistos perto de rodovias em busca de carcaças ou restos deixados por outros predadores.

“Não é possível afirmar com certeza, mas, por ser uma espécie oportunista, o carcará pode tentar capturar uma serpente atravessando a estrada sem necessariamente depender de adaptações de caça altamente especializadas”, explica o ornitólogo.

A dieta do carcará inclui ainda anfíbios, lagartos, pequenos mamíferos, frutas e resíduos descartados por humanos, o que facilita sua adaptação tanto em zonas rurais quanto urbanas.

O risco com serpentes peçonhentas

O episódio também desperta curiosidade sobre a interação com répteis venenosos. O especialista esclarece que essas aves conseguem abater serpentes peçonhentas usando a agilidade para evitar o bote, e que o veneno ingerido costuma ser neutralizado pelo sistema digestivo, embora uma picada direta durante a abordagem ainda represente um risco real para o predador.

Fonte: G1 Campinas

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