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Derrota de Trump pode reduzir intervenções dos EUA na América Latina

A recente perda de controle da Câmara e do Senado pelos republicanos nos Estados Unidos sinaliza uma possível mudança no cenário geopolítico regional. Especialistas avaliam que o revés político de Donald Trump pode enfraquecer a agenda intervencionista da Casa Branca na América Latina, além de forçar Washington a buscar uma postura mais conciliatória em disputas comerciais, como as tarifas aplicadas contra o Brasil.

Limitações impostas pelo Congresso

A política externa de Trump, pautada pela busca da “proeminência” norte-americana e pela tentativa de conter a influência chinesa no continente, enfrentará agora um Legislativo dominado pela oposição. O cenário inclui episódios polêmicos, como a invasão da Venezuela em 2026 e o acordo petroleiro que destinou fatias do setor a empresas vinculadas ao Pentágono.

Camila Vidal, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), aponta que a nova composição parlamentar deve restringir o orçamento para ações externas. “No âmbito da defesa, isso vai ser muito importante. Eu imagino que o Congresso tende a sustar os gastos desse setor. Na América Latina, isso tende a ser percebido, inclusive, dentro do Escudo das Américas, com talvez menos recursos e menos ênfase a essa política. Portanto, pode vir a representar um freio para interromper essas políticas intervencionistas”, avalia.

O impacto do Escudo das Américas

O programa Escudo das Américas, oficialmente voltado ao combate ao narcotráfico, é frequentemente visto como uma ferramenta de ingerência política. Na Bolívia, a prisão do procurador-geral Roger Mariaca sob alegações de envolvimento com o tráfico gerou desconfiança, dado que ele investigava figuras próximas ao círculo de Trump, como o operador digital Fernando Cerimedo.

Perspectivas para o Brasil

No campo econômico, o governo brasileiro interpretou as tarifas impostas por Washington como uma estratégia de interferência política. Para Juliano Machado Pires, doutor em Ciência Política, a fragilidade eleitoral de Trump cria um incentivo para que a Casa Branca busque uma trégua. “Se eles aprenderam algo com a derrota, é que a economia precisa melhorar. Comprar briga com o Brasil neste momento não faz o menor sentido”, disse.

O especialista ressalta que o secretário de Estado, Marco Rubio, será pressionado pelo Congresso, o que pode facilitar diálogos em setores estratégicos. “Eles precisam de uma série de acordos que eles têm interesse no Brasil, em várias áreas, como nas tarifas, terras raras e data centers. Se eles forem racionais, é o momento de fazer as pazes com o governo brasileiro”, disse.

Apesar dessa tendência, o cenário permanece incerto. Analistas não descartam que a administração Trump possa tentar criar crises externas como uma forma de desviar o foco de problemas e instabilidades internas.

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