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Governo federal investiga possível ação organizada em queimadas

A força-tarefa mobilizada para conter as chamas que devastam o Amazonas intensificou o cerco contra suspeitos de crimes ambientais. Até o momento, 120 Termos Circunstanciados de Ocorrência foram instaurados para apurar a origem dos focos de incêndio, que, segundo o governo, têm causa humana.

Investigação sobre possível articulação criminosa

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, confirmou que as autoridades buscam identificar se os episódios recentes são parte de uma estratégia coordenada. “Vamos iniciar uma ação forte de investigação para identificar quem está operando esse conjunto enorme de incêndios e verificar se há uma organização por trás disso. E vamos punir aqueles que forem identificados de forma exemplar para que não fique na região uma sensação de impunidade”, disse.

Para fortalecer a apuração, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi acionada. O objetivo é comparar o cenário atual com eventos passados, como o episódio conhecido como “Dia do Fogo”. “Existe uma suspeita de ação organizada. Por isso, além de todos os que estão aqui, todas as investigações, também temos a participação da Abin, a Agência Brasileira de Inteligência, para verificar se está se repetindo aqui o que ocorreu em outro momento no chamado ‘Dia do Fogo”, completou.

Impacto na rotina e qualidade do ar

A fumaça densa que encobre o Amazonas forçou a interrupção de diversas atividades em Manaus. Instituições de ensino, incluindo a rede municipal, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto Federal do Amazonas (Ifam), suspenderam as aulas presenciais devido aos riscos à saúde. Ao avaliar o cenário, o ministro enfatizou a gravidade do dano: “A população de Manaus foi tremendamente prejudicada e está sendo tremendamente prejudicada. Há uma destruição ambiental em curso e nós precisamos punir os responsáveis porque são incêndios criminosos”, afirmou.

Medidas de combate e redução de focos

Apesar da crise, o governo federal aponta uma melhora gradual. Desde o início das operações, 292 incêndios foram extintos, restando oito ativos. O reforço logístico inclui 11 aeronaves e um contingente de 290 brigadistas, com mais 40 a caminho.

“Nós temos dados positivos. Não podemos comemorar, porque ainda temos uma situação grave, ainda tem muita fumaça, mas houve uma redução nos eventos de queimadas e de incêndios. Portanto, nós temos um movimento positivo e há um indicativo de redução de novos focos”, afirmou Capobianco.

Sobre a fumaça que ainda afeta a capital, o ministro explicou que a situação depende de fatores meteorológicos. “Há uma certa convergência de forças de ventos para a região de Manaus. É um fenômeno meteorológico sobre o qual nós não temos controle. Nós estamos combatendo intensamente, reduzimos muito os incêndios mais próximos da capital. Mas nós ainda temos incêndios mais distantes, que estão trazendo fumaça para Manaus. Nós esperamos que isso possa reduzir”, disse.

Os responsáveis por crimes ambientais na região enfrentam multas que variam de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hectare, além de embargo de áreas, apreensão de maquinários e penas de prisão.

Fonte: Agência Brasil

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